O filme O Manicômio, distribuído pela Paris Filmes e dirigido pelo alemão Michael David Pate. A proposta inicial chamava atenção ao combinar o formato found-footage com protagonistas youtubers, explorando a busca incessante por likes, desafios extremos e conteúdos virais que dominam a internet. A premissa, à primeira vista, sugeria uma crítica social contemporânea dentro do gênero de horror.

A narrativa acompanha um grupo de jovens criadores de conteúdo que invade ilegalmente uma área abandonada de um antigo santuário considerado assombrado na Alemanha. O objetivo era cumprir um desafio de vinte e quatro horas no local e registrar tudo para seus canais. Embora o ponto de partida seja promissor, a execução não acompanha o potencial da ideia.

Personagens rasos e ausência da crítica prometida

Os personagens são construídos com traços deliberadamente banais, o que inicialmente dá a entender que o filme irá explorar humor ácido ou sátiras sobre a cultura digital. No entanto, essa camada crítica nunca se concretiza. O roteiro abandona rapidamente qualquer tentativa de reflexão sobre a responsabilidade de influenciadores, pegadinhas inconsequentes e comportamento de risco em busca de audiência.

Imagem do filme O Manicômio
Imagem do filme O Manicômio (foto: Reprodução/Paris Filmes)

A produção generaliza todos os criadores de conteúdo como figuras irresponsáveis, sem aprofundar a discussão ou contextualizar o fenômeno. Isso empobrece a narrativa e transforma o grupo de protagonistas em caricaturas pouco envolventes.

Problemas de dublagem comprometem a experiência

Outro obstáculo evidente está na dublagem. O Manicômio chegou ao Brasil apenas em cópias dubladas, e a falta de sincronia entre as falas e os movimentos labiais prejudica a imersão. Em um terror que depende de tensão constante, qualquer ruído técnico compromete a construção do medo, e neste caso o impacto é considerável.

Found-footage sem renovação e repetição de fórmulas

Todo o filme é apresentado pelas câmeras e celulares dos personagens. A referência a clássicos como A Bruxa de Blair é clara, mas a produção não traz novidades ao formato. Há excesso de movimentos panorâmicos sem foco, cenas repetitivas e pouca criatividade na condução visual. Mesmo em situações de perigo, os personagens não largam seus equipamentos, gesto que deveria reforçar o desespero, mas acaba soando mecânico e previsível.

Premissa interessante, mas roteiro se perde

Ambientado em um local ligado a eventos da Segunda Guerra Mundial, o longa poderia explorar com profundidade o passado do santuário e os traumas históricos que ecoam no presente. No entanto, o roteiro não desenvolve essas camadas e aposta em um plot twist que não apenas falha em surpreender, como enfraquece o pouco que havia sido construído.

O resultado é um filme que oscila entre a tentativa de se levar a sério e uma execução incapaz de sustentar sua própria tensão.

O que achamos do filme?

O Manicômio parte de uma premissa atual e relevante, mas entrega uma obra irregular, marcada por personagens subaproveitados, problemas técnicos e um roteiro que não aprofunda suas ideias. A promessa de inovação no terror found-footage se dissolve ao longo da projeção, deixando a impressão de um filme que poderia ter explorado muito mais do que apresenta.

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Jornalista apaixonado por séries.