A Netflix estreou a minissérie Os Sete Relógios de Agatha Christie como parte de sua estratégia de atualizar obras clássicas da autora britânica para o público contemporâneo. Com três episódios, a produção aposta em uma releitura do romance The Seven Dials Mystery, publicado em 1929, combinando mistério de época, espionagem e conflitos familiares.

Ao longo da narrativa, a série constrói um jogo de falsas pistas e reviravoltas que culmina em um desfecho responsável por reorganizar completamente o sentido da história. A seguir, explicamos o final da minissérie, detalhando quem estava por trás da conspiração, o verdadeiro papel da sociedade Sete Relógios (Seven Dials) e o que o encerramento revela sobre o destino de seus personagens centrais.

Atenção, a partir daqui o texto contem spoiler sobre o final de Os Sete Relógios de Agatha Christie.

Quem matou Gerry Wade e por quê?

No episódio final, a série confirma que a morte de Gerry Wade não foi acidental nem resultado de uma brincadeira que saiu do controle. Ele foi assassinado por Lorraine, que agiu de forma calculada para eliminar um obstáculo dentro de um plano maior. O crime está diretamente ligado ao roubo de uma fórmula científica valiosa, cobiçada por diferentes interesses e capaz de gerar consequências políticas significativas.

Imagem da série Os Sete Relógios de Agatha Christie
Cena da série Os Sete Relógios de Agatha Christie (foto: Reprodução/Netflix)

Lorraine não atuou sozinha. Jimmy Thesiger surge como cúmplice direto, responsável por executar outras ações violentas ao longo da trama e por manipular evidências para desviar o foco da investigação. Os dois funcionam como peças operacionais de uma engrenagem muito maior.

A verdadeira mente por trás da conspiração

A principal revelação do final é que Lady Caterham, mãe de Bundle, foi a responsável por arquitetar grande parte do plano. Motivada por ressentimento, perdas pessoais e ambição financeira, ela usou Lorraine e Jimmy como instrumentos para alcançar seus objetivos. A série opta por deslocar o centro do conflito para dentro da própria família da protagonista, transformando a investigação em um choque emocional e moral.

Essa escolha narrativa reforça um dos temas centrais da adaptação: o perigo não vem apenas de forças externas ou organizações misteriosas, mas também de relações íntimas marcadas por segredos e manipulação.

O verdadeiro significado dos “Sete Relógios”

Os sete relógios que dão título à série funcionam menos como símbolo e mais como estratégia narrativa. Eles foram usados deliberadamente como uma pista falsa, criada para confundir a polícia e direcionar suspeitas para a suposta sociedade Sete Relógios. Ao final, fica claro que os relógios não apontavam para o crime em si, mas para o método de distração utilizado pelos conspiradores.

Imagem da série Os Sete Relógios de Agatha Christie
Cena da série Os Sete Relógios de Agatha Christie (foto: Reprodução/Netflix)

Essa revelação reforça o caráter clássico do mistério, em que o excesso de informação é usado para esconder a verdade, não para revelá-la.

O que é, afinal, a sociedade Sete Relógios

Ao contrário do que a série sugere em seus primeiros episódios, a Sete Relógios não é uma organização criminosa. O grupo atua como uma rede informal ligada à proteção de interesses nacionais, operando nas sombras para impedir ameaças maiores.

O Superintendente Battle aparece como uma das figuras centrais dessa estrutura, funcionando mais como guardião do sistema do que como antagonista. Essa virada redefine o eixo moral da história e muda a posição da protagonista dentro do tabuleiro.

O destino de Bundle e o sentido do final

No encerramento, Bundle descobre que seu pai também fazia parte da Sete Relógios, o que ressignifica tanto sua trajetória pessoal quanto sua participação nos acontecimentos recentes. O convite para integrar a organização não funciona como um gancho óbvio para uma continuação, mas como a conclusão lógica de seu amadurecimento ao longo da narrativa.

O final de Os Sete Relógios de Agatha Christie não aposta em punições espetaculares ou em reviravoltas artificiais. Em vez disso, encerra a história ao transformar a investigação em legado, sugerindo que compreender a verdade também implica assumir responsabilidades que vão além da resolução do crime.

Estudante de jornalismo apaixonado por séries, sempre em busca da próxima maratona. Atualmente, estagiário no Séries em Cena, onde exploro o universo das produções e compartilho meu olhar crítico sobre o que está em alta no mundo das telinhas. E-mail: lucas.emanuel@seriesemcena.com.br