ENTRE LEI E CRIME

Os Pecados de Kujo: nova série da Netflix expõe o lado mais sombrio da justiça

Adaptação de mangá japonês aposta em dilemas morais e protagonista controverso

Os Pecados de Kujo: nova série da Netflix expõe o lado mais sombrio da justiça Notícias
Os Pecados de Kujo adapta o mangá Kujō no Taizai (foto: Reprodução/Netflix)
Lucas Emanuel

Por Lucas Emanuel

02 de abril de 2026 às 18h04

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A Netflix estreou nesta quinta-feira (2) a série Os Pecados de Kujo (Sins of Kujo), adaptação em live-action do mangá Kujō no Taizai. A produção acompanha a história de um advogado que construiu carreira defendendo clientes que a maioria recusaria, atuando em casos que expõem o lado mais controverso do sistema jurídico.

A narrativa parte de uma premissa incômoda ao acompanhar um profissional que domina a lei, mas não se orienta por qualquer noção de justiça. Segundo a plataforma, a produção foi concebida para tensionar os limites entre legalidade e moral em histórias inspiradas em conflitos contemporâneos.

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Cena da série Os Pecados de Kujo
Série da Netflix acompanha advogado que defende criminosos e desafia a justiça (foto: Reprodução)

Um protagonista que recusa o papel de herói

Taiza Kujo, interpretado por Yuya Yagira, não demonstra conflito interno sobre suas escolhas. O personagem é apresentado como alguém que entende exatamente o papel que exerce dentro do sistema. No material oficial de divulgação, Kujo é descrito como “um bom advogado, mas uma pessoa ruim”.

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A frase estabelece o tom da narrativa. Kujo enxerga o direito como uma função técnica e entende que seu dever é proteger o cliente, independentemente do crime cometido. Esse posicionamento transforma cada caso em uma disputa estratégica, em que vencer importa mais do que qualquer julgamento moral.

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O embate entre idealismo e pragmatismo

A narrativa se sustenta no contraste entre Kujo e personagens que ainda acreditam na justiça como princípio. Esse choque de visões conduz o desenvolvimento da história. Shinji Karasuma, vivido por Hokuto Matsumura, representa o idealismo dentro do sistema jurídico.

Já Hitomi Yakushimae, interpretada por Elaiza Ikeda, traz um olhar social ao lidar diretamente com pessoas em situação de vulnerabilidade. A convivência com Kujo expõe as fragilidades dessas perspectivas.

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Um sistema onde a lei vira instrumento

A série amplia seu alcance ao mostrar que o tribunal é apenas parte de um cenário mais complexo. Fora dele, interesses políticos, econômicos e criminosos influenciam diretamente o funcionamento da justiça.

Personagens interpretados por Keita Machida, Tsuyoshi Muro e Takuma Otoo conectam Kujo a redes de poder que operam dentro e fora da legalidade. Nesse contexto, a lei deixa de ser um limite claro e passa a funcionar como ferramenta de negociação.

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Adaptação preserva o tom crítico do mangá

Baseada na obra de Shohei Manabe, a série mantém o olhar direto sobre desigualdades sociais e falhas institucionais. O material original já se destacava por evitar simplificações e a adaptação segue o mesmo caminho.

Essa abordagem aparece também na construção visual. Em uma das imagens mais simbólicas, Kujo surge vendado, em referência à Justiça. A escolha reforça a ambiguidade central da série ao sugerir que a lei pode tanto ser imparcial quanto ignorar deliberadamente a realidade.

Sobre o autor
Lucas Emanuel

Lucas Emanuel

Estudante de jornalismo apaixonado por séries, sempre em busca da próxima maratona. Atualmente, estagiário no Séries em Cena, onde exploro o universo das produções e compartilho meu olhar crítico sobre o que está em alta no mundo das telinhas. E-mail: lucas.emanuel@seriesemcena.com.br