

Crítica | Minha Melhor Amiga transforma amizade em uma divertida reflexão sobre o tempo
Ingrid Guimarães e Mônica Martelli estrelam uma comédia sobre amizade, casamento e recomeços depois dos 50

Por Igor em 2 de outubro 2026
Há momentos em Minha Melhor Amiga em que é difícil distinguir as personagens das próprias Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. Não porque falte interpretação, mas porque a intimidade entre as duas parece atravessar a tela. Em determinadas cenas, a sensação é de que elas estão prestes a rir da própria piada — e algumas vezes quase parecem fazer exatamente isso.
É justamente aí que a nova comédia dirigida por Susana Garcia encontra sua maior força.
Inspirado também nas experiências e viagens que Ingrid e Mônica fizeram juntas com suas filhas, o longa acompanha Júlia e Clara, duas amigas na faixa dos 50 anos que decidem ir para Portugal depois que as filhas partem para estudar no país. A viagem, porém, logo se transforma em algo maior do que uma simples tentativa de acompanhar as meninas.

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli carregam o filme
Minha Melhor Amiga não precisa de muito tempo para estabelecer a relação entre suas protagonistas. Ingrid Guimarães e Mônica Martelli possuem uma química tão natural que até diálogos simples ganham ritmo quando as duas estão juntas.
Existe algo quase espontâneo na maneira como uma interrompe a outra, nas provocações e até nas reações às próprias piadas. Mais do que interpretar melhores amigas, elas convencem porque claramente existe uma amizade por trás daqueles personagens.
Isso também ajuda quando o roteiro entra em situações já bastante conhecidas da comédia nacional. Nem todas as piadas surpreendem e alguns caminhos são previsíveis, mas a dupla consegue transformar situações comuns em cenas genuinamente divertidas.

É um daqueles casos em que assistir aos atores se divertindo acaba fazendo parte da graça.
Leia também
Uma comédia sobre mulheres depois dos 50
Por trás dos perrengues da viagem e das situações cômicas, entretanto, existe outra camada que torna Minha Melhor Amiga mais interessante.
O filme coloca duas mulheres acima dos 50 anos no centro de questões que normalmente recebem menos espaço nesse tipo de produção. Relacionamentos amorosos, desejo, solidão, filhos saindo de casa e, principalmente, a percepção de que determinadas escolhas foram adiadas por tempo demais aparecem ao longo da história.
O desgaste do casamento ganha atenção especial.
Sem transformar o relacionamento em uma simples disputa entre certo e errado, o longa questiona o que acontece quando duas pessoas permanecem juntas, mas deixam de enxergar a relação — e até a própria vida — da mesma maneira.
Ao mesmo tempo, existe espaço para discutir a possibilidade de experimentar novos relacionamentos depois dos 50. O filme trata essa fase menos como encerramento e mais como um momento no qual ainda existem descobertas, desejos e decisões importantes a serem tomadas.
O tempo acaba sendo o verdadeiro assunto de Minha Melhor Amiga
É nesse ponto que a comédia encontra sua mensagem mais interessante.
Por mais que a amizade de Júlia e Clara movimente a narrativa, Minha Melhor Amiga parece chegar à conclusão de que nosso bem mais precioso é o tempo.
Filhos crescem. Casamentos mudam. Carreiras deixam de ocupar o mesmo espaço. Pessoas entram e saem de nossas vidas. Enquanto tudo isso acontece, existe o risco de continuar adiando desejos esperando pelo momento ideal.
O filme responde a isso defendendo justamente o contrário.
Não podemos controlar quanto tempo ainda temos, mas podemos decidir o que fazemos com ele.
Talvez Minha Melhor Amiga não reinvente a comédia brasileira e nem precise fazer isso. Susana Garcia entende que seu principal patrimônio está diante da câmera e permite que Ingrid Guimarães e Mônica Martelli sustentem boa parte da experiência.
O resultado é um filme leve, engraçado e extremamente simpático, mas que encontra espaço para dizer algo relevante sobre envelhecer sem abandonar a vontade de viver.
No final, entre viagens, relacionamentos e muitas risadas, fica uma mensagem bastante simples: o tempo passa independentemente das nossas escolhas. A diferença está em decidir se vamos apenas acompanhá-lo ou realmente vivê-lo.
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Há momentos em Minha Melhor Amiga em que é difícil distinguir as personagens das próprias Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. Não porque falte interpretação, mas porque a intimidade entre as duas parece atravessar a tela. Em determinadas cenas, a sensação é de que elas estão prestes a rir da própria piada — e algumas vezes quase parecem fazer exatamente isso.
É justamente aí que a nova comédia dirigida por Susana Garcia encontra sua maior força.
Inspirado também nas experiências e viagens que Ingrid e Mônica fizeram juntas com suas filhas, o longa acompanha Júlia e Clara, duas amigas na faixa dos 50 anos que decidem ir para Portugal depois que as filhas partem para estudar no país. A viagem, porém, logo se transforma em algo maior do que uma simples tentativa de acompanhar as meninas.

Ingrid Guimarães e Mônica Martelli carregam o filme
Minha Melhor Amiga não precisa de muito tempo para estabelecer a relação entre suas protagonistas. Ingrid Guimarães e Mônica Martelli possuem uma química tão natural que até diálogos simples ganham ritmo quando as duas estão juntas.
Existe algo quase espontâneo na maneira como uma interrompe a outra, nas provocações e até nas reações às próprias piadas. Mais do que interpretar melhores amigas, elas convencem porque claramente existe uma amizade por trás daqueles personagens.
Isso também ajuda quando o roteiro entra em situações já bastante conhecidas da comédia nacional. Nem todas as piadas surpreendem e alguns caminhos são previsíveis, mas a dupla consegue transformar situações comuns em cenas genuinamente divertidas.

É um daqueles casos em que assistir aos atores se divertindo acaba fazendo parte da graça.
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Uma comédia sobre mulheres depois dos 50
Por trás dos perrengues da viagem e das situações cômicas, entretanto, existe outra camada que torna Minha Melhor Amiga mais interessante.
O filme coloca duas mulheres acima dos 50 anos no centro de questões que normalmente recebem menos espaço nesse tipo de produção. Relacionamentos amorosos, desejo, solidão, filhos saindo de casa e, principalmente, a percepção de que determinadas escolhas foram adiadas por tempo demais aparecem ao longo da história.
O desgaste do casamento ganha atenção especial.
Sem transformar o relacionamento em uma simples disputa entre certo e errado, o longa questiona o que acontece quando duas pessoas permanecem juntas, mas deixam de enxergar a relação — e até a própria vida — da mesma maneira.
Ao mesmo tempo, existe espaço para discutir a possibilidade de experimentar novos relacionamentos depois dos 50. O filme trata essa fase menos como encerramento e mais como um momento no qual ainda existem descobertas, desejos e decisões importantes a serem tomadas.
O tempo acaba sendo o verdadeiro assunto de Minha Melhor Amiga
É nesse ponto que a comédia encontra sua mensagem mais interessante.
Por mais que a amizade de Júlia e Clara movimente a narrativa, Minha Melhor Amiga parece chegar à conclusão de que nosso bem mais precioso é o tempo.
Filhos crescem. Casamentos mudam. Carreiras deixam de ocupar o mesmo espaço. Pessoas entram e saem de nossas vidas. Enquanto tudo isso acontece, existe o risco de continuar adiando desejos esperando pelo momento ideal.
O filme responde a isso defendendo justamente o contrário.
Não podemos controlar quanto tempo ainda temos, mas podemos decidir o que fazemos com ele.
Talvez Minha Melhor Amiga não reinvente a comédia brasileira e nem precise fazer isso. Susana Garcia entende que seu principal patrimônio está diante da câmera e permite que Ingrid Guimarães e Mônica Martelli sustentem boa parte da experiência.
O resultado é um filme leve, engraçado e extremamente simpático, mas que encontra espaço para dizer algo relevante sobre envelhecer sem abandonar a vontade de viver.
No final, entre viagens, relacionamentos e muitas risadas, fica uma mensagem bastante simples: o tempo passa independentemente das nossas escolhas. A diferença está em decidir se vamos apenas acompanhá-lo ou realmente vivê-lo.
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