

Crítica: Euphoria – 3ª temporada
Última temporada da série aposta em tragédia, luto e violência estilizada, mas nem sempre encontra equilíbrio para encerrar a jornada de Rue.

Por Danilo Miranda em 2 de junho 2026
Atualizado 30 minutos atrás
A 3ª temporada de Euphoria chega ao fim carregando o peso de uma série que sempre viveu no limite entre impacto emocional e provocação. Desde a estreia, a produção criada por Sam Levinson se destacou por transformar a adolescência em um campo de conflito visual, emocional e moral, com Rue Bennett, personagem de Zendaya, no centro de uma narrativa marcada por vício, culpa, desejo e autodestruição.
No último ano, porém, esse equilíbrio fica ainda mais instável. A temporada final tenta ampliar o universo da série, aproximando a trama de elementos criminais, acertos de contas e imagens religiosas, mas nem sempre consegue sustentar todos esses caminhos com a mesma força. O resultado é uma despedida intensa, visualmente poderosa e emocionalmente dura, mas também irregular e discutível em suas escolhas mais importantes.
Uma temporada construída para a tragédia
A 3ª temporada deixa claro desde cedo que não está interessada em oferecer conforto ao público. Rue volta ao centro da história cercada por riscos, recaídas e pela sensação de que qualquer tentativa de melhora pode desabar a qualquer momento. Zendaya continua sendo o principal motor dramático da série, mesmo quando o roteiro parece mais interessado no choque do que na construção silenciosa da dor.
O problema é que a temporada nem sempre confia na força dessa protagonista. Em vez de manter o foco na deterioração emocional de Rue, Euphoria amplia demais suas ameaças e transforma parte da narrativa em uma trama de crime, vingança e tensão externa. A escolha dá ritmo aos episódios, mas também afasta a série da intimidade que fez seus melhores momentos funcionarem.

Zendaya sustenta o peso que o roteiro espalha demais
Zendaya entrega uma atuação contida nos momentos certos e devastadora quando a história exige ruptura. Mesmo nos trechos em que o roteiro força a tragédia, a atriz encontra humanidade em Rue. Ela evita transformar a personagem em símbolo ou lição, mantendo a protagonista como alguém contraditória, frágil, injusta, carismática e profundamente ferida.
Leia também
Essa é justamente a maior força e a maior frustração da temporada. Rue ainda é a alma de Euphoria, mas o texto nem sempre parece disposto a permanecer com ela pelo tempo necessário. Quando a série permite silêncio, olhar e consequência, funciona muito bem. Quando prefere excesso visual, viradas grandiosas e simbolismo pesado, perde parte da precisão emocional.
O final de Rue é forte, mas controverso
A morte de Rue no episódio final é a decisão que define a temporada inteira. Como encerramento trágico, a escolha tem coerência dentro de uma série que nunca romantizou completamente a luta da personagem. Euphoria sempre mostrou que recuperação não é uma linha reta e que o amor ao redor de alguém nem sempre consegue impedir a queda.

Ainda assim, a forma como o final chega a esse ponto deixa dúvidas. A morte tem impacto, mas acontece em uma temporada que parece mais interessada em empurrar Rue para uma conclusão inevitável do que em explorar todas as camadas dessa perda. O desfecho machuca, mas também frustra porque reduz uma jornada complexa a uma sentença definitiva.
O episódio final ganha força ao mostrar o vazio deixado pela protagonista, principalmente em Ali. A dor dele funciona melhor do que boa parte das cenas mais grandiosas, porque recoloca Euphoria em um terreno humano. O luto, a culpa e a sensação de impotência dizem mais sobre a série do que qualquer imagem simbólica exagerada.
O excesso visual continua sendo marca e problema
Visualmente, Euphoria continua impressionante. A fotografia, a montagem e a direção criam imagens fortes, capazes de transformar dor emocional em experiência sensorial. Poucas séries recentes construíram uma identidade tão reconhecível, e a temporada final preserva essa assinatura com ambição.
Ao mesmo tempo, esse estilo também pesa contra a série. Em vários momentos, o visual parece tentar compensar fragilidades do roteiro. O simbolismo religioso, a violência estilizada e o tom quase operístico do final rendem cenas memoráveis, mas nem sempre aprofundam os personagens que fazem parte da trama. Às vezes, a série parece mais preocupada em ser inesquecível do que em ser precisa.
Personagens importantes ficam pelo caminho
Um dos maiores problemas da temporada final está no tratamento desigual dos personagens. Jules, Cassie, Maddy e Lexi fazem parte da identidade de Euphoria, mas chegam ao encerramento com arcos menos desenvolvidos do que deveriam. A série termina como a história de Rue, o que faz sentido, mas deixa parte do elenco reduzida ao impacto da protagonista.

Jules é o caso mais evidente, já que sua ligação com Rue foi uma das bases emocionais da produção, mas o final prefere tratá-la mais como presença de luto do que como personagem com conflito próprio. Cassie e Maddy também terminam com destinos fragmentados, reforçando a sensação de que a série não teve espaço para lidar com tudo o que construiu.
Uma despedida amarga e difícil de ignorar
A 3ª temporada de Euphoria não é um fracasso. Ela tem atuações fortes, imagens poderosas e momentos de enorme impacto emocional. Quando acerta, lembra por que a série se tornou uma das produções mais comentadas da HBO. O problema é que seus acertos convivem com decisões narrativas apressadas, excesso de simbolismo e uma vontade constante de chocar.
Como final de série, a temporada é corajosa, mas não totalmente satisfatória. A morte de Rue pode ser defendida como uma escolha trágica e coerente, mas a execução deixa a sensação de que Euphoria confundiu dureza com profundidade em alguns momentos. O desfecho é triste, marcante e polêmico, mas também menos completo do que a protagonista merecia.

No fim, Euphoria encerra sua trajetória como viveu: intensa, irregular, visualmente hipnótica e emocionalmente desconfortável. A última temporada não entrega uma despedida fácil, e talvez nunca fosse essa a intenção. Ainda assim, fica a impressão de que uma série tão interessada em dor poderia ter encontrado uma forma mais cuidadosa de lidar com sua personagem mais importante.
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Euphoria
3ª temporada
Onde assistir: HBO
NOTA: ★ ★ ★ ☆ ☆

A 3ª temporada de Euphoria chega ao fim carregando o peso de uma série que sempre viveu no limite entre impacto emocional e provocação. Desde a estreia, a produção criada por Sam Levinson se destacou por transformar a adolescência em um campo de conflito visual, emocional e moral, com Rue Bennett, personagem de Zendaya, no centro de uma narrativa marcada por vício, culpa, desejo e autodestruição.
No último ano, porém, esse equilíbrio fica ainda mais instável. A temporada final tenta ampliar o universo da série, aproximando a trama de elementos criminais, acertos de contas e imagens religiosas, mas nem sempre consegue sustentar todos esses caminhos com a mesma força. O resultado é uma despedida intensa, visualmente poderosa e emocionalmente dura, mas também irregular e discutível em suas escolhas mais importantes.
Uma temporada construída para a tragédia
A 3ª temporada deixa claro desde cedo que não está interessada em oferecer conforto ao público. Rue volta ao centro da história cercada por riscos, recaídas e pela sensação de que qualquer tentativa de melhora pode desabar a qualquer momento. Zendaya continua sendo o principal motor dramático da série, mesmo quando o roteiro parece mais interessado no choque do que na construção silenciosa da dor.
O problema é que a temporada nem sempre confia na força dessa protagonista. Em vez de manter o foco na deterioração emocional de Rue, Euphoria amplia demais suas ameaças e transforma parte da narrativa em uma trama de crime, vingança e tensão externa. A escolha dá ritmo aos episódios, mas também afasta a série da intimidade que fez seus melhores momentos funcionarem.

Zendaya sustenta o peso que o roteiro espalha demais
Zendaya entrega uma atuação contida nos momentos certos e devastadora quando a história exige ruptura. Mesmo nos trechos em que o roteiro força a tragédia, a atriz encontra humanidade em Rue. Ela evita transformar a personagem em símbolo ou lição, mantendo a protagonista como alguém contraditória, frágil, injusta, carismática e profundamente ferida.
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Essa é justamente a maior força e a maior frustração da temporada. Rue ainda é a alma de Euphoria, mas o texto nem sempre parece disposto a permanecer com ela pelo tempo necessário. Quando a série permite silêncio, olhar e consequência, funciona muito bem. Quando prefere excesso visual, viradas grandiosas e simbolismo pesado, perde parte da precisão emocional.
O final de Rue é forte, mas controverso
A morte de Rue no episódio final é a decisão que define a temporada inteira. Como encerramento trágico, a escolha tem coerência dentro de uma série que nunca romantizou completamente a luta da personagem. Euphoria sempre mostrou que recuperação não é uma linha reta e que o amor ao redor de alguém nem sempre consegue impedir a queda.

Ainda assim, a forma como o final chega a esse ponto deixa dúvidas. A morte tem impacto, mas acontece em uma temporada que parece mais interessada em empurrar Rue para uma conclusão inevitável do que em explorar todas as camadas dessa perda. O desfecho machuca, mas também frustra porque reduz uma jornada complexa a uma sentença definitiva.
O episódio final ganha força ao mostrar o vazio deixado pela protagonista, principalmente em Ali. A dor dele funciona melhor do que boa parte das cenas mais grandiosas, porque recoloca Euphoria em um terreno humano. O luto, a culpa e a sensação de impotência dizem mais sobre a série do que qualquer imagem simbólica exagerada.
O excesso visual continua sendo marca e problema
Visualmente, Euphoria continua impressionante. A fotografia, a montagem e a direção criam imagens fortes, capazes de transformar dor emocional em experiência sensorial. Poucas séries recentes construíram uma identidade tão reconhecível, e a temporada final preserva essa assinatura com ambição.
Ao mesmo tempo, esse estilo também pesa contra a série. Em vários momentos, o visual parece tentar compensar fragilidades do roteiro. O simbolismo religioso, a violência estilizada e o tom quase operístico do final rendem cenas memoráveis, mas nem sempre aprofundam os personagens que fazem parte da trama. Às vezes, a série parece mais preocupada em ser inesquecível do que em ser precisa.
Personagens importantes ficam pelo caminho
Um dos maiores problemas da temporada final está no tratamento desigual dos personagens. Jules, Cassie, Maddy e Lexi fazem parte da identidade de Euphoria, mas chegam ao encerramento com arcos menos desenvolvidos do que deveriam. A série termina como a história de Rue, o que faz sentido, mas deixa parte do elenco reduzida ao impacto da protagonista.

Jules é o caso mais evidente, já que sua ligação com Rue foi uma das bases emocionais da produção, mas o final prefere tratá-la mais como presença de luto do que como personagem com conflito próprio. Cassie e Maddy também terminam com destinos fragmentados, reforçando a sensação de que a série não teve espaço para lidar com tudo o que construiu.
Uma despedida amarga e difícil de ignorar
A 3ª temporada de Euphoria não é um fracasso. Ela tem atuações fortes, imagens poderosas e momentos de enorme impacto emocional. Quando acerta, lembra por que a série se tornou uma das produções mais comentadas da HBO. O problema é que seus acertos convivem com decisões narrativas apressadas, excesso de simbolismo e uma vontade constante de chocar.
Como final de série, a temporada é corajosa, mas não totalmente satisfatória. A morte de Rue pode ser defendida como uma escolha trágica e coerente, mas a execução deixa a sensação de que Euphoria confundiu dureza com profundidade em alguns momentos. O desfecho é triste, marcante e polêmico, mas também menos completo do que a protagonista merecia.

No fim, Euphoria encerra sua trajetória como viveu: intensa, irregular, visualmente hipnótica e emocionalmente desconfortável. A última temporada não entrega uma despedida fácil, e talvez nunca fosse essa a intenção. Ainda assim, fica a impressão de que uma série tão interessada em dor poderia ter encontrado uma forma mais cuidadosa de lidar com sua personagem mais importante.
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Euphoria
3ª temporada
Onde assistir: HBO
NOTA: ★ ★ ★ ☆ ☆
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