

Crítica: Euphoria cresce em ambição na 3ª temporada, mas perde sua essência
Série abandona o drama adolescente, mas revela uma narrativa fragmentada e sem direção clara

Por Lucas Emanuel em 13 de abril 2026
Atualizado 2 meses atrás
A 3ª temporada de Euphoria retornou neste domingo (12) na HBO, marcando uma ruptura clara na identidade da série. Após quase quatro anos fora do ar, a produção volta com um salto temporal significativo e uma proposta mais ambiciosa, que abandona o universo escolar para mergulhar em um cenário mais adulto, violento e imprevisível.
A mudança é evidente, mas o primeiro episódio também deixa claro que, ao tentar se reinventar, a série compromete aquilo que a sustentava. O impacto inicial chama atenção, mas não se sustenta. A estética continua forte e a ambição narrativa é evidente, porém a construção falha em dar unidade e propósito à história. O resultado é uma abertura que impressiona na forma, mas revela uma série sem direção clara.
Uma mudança radical de tom que cobra um preço
A principal transformação está no gênero. O que antes era um drama centrado na adolescência agora assume contornos de thriller criminal, com elementos de humor ácido e situações extremas. A trajetória de Rue sintetiza essa virada.
A personagem surge em um contexto muito mais sombrio, envolvida diretamente com o tráfico de drogas e inserida em um ambiente de risco constante. A tensão é elevada desde a sequência inicial, que aposta no impacto visual para estabelecer o novo ritmo. No entanto, ao priorizar escala e intensidade, a série abandona o olhar íntimo que definia sua força original.

Essa mudança amplia o alcance da narrativa, mas também esvazia sua base emocional. Ao trocar proximidade por espetáculo, Euphoria perde parte do que tornava seus conflitos relevantes.
Leia também
Uma narrativa que avança, mas não se conecta
O episódio se estrutura a partir de um salto de aproximadamente cinco anos, reposicionando todos os personagens em novas realidades. Rue vive sob a pressão de uma dívida crescente, atuando como peça central no transporte de drogas e transitando entre ambientes hostis.
A trama acompanha suas movimentações e situações de risco, culminando em um desfecho que aposta no choque para encerrar o episódio. A sequência final é impactante, mas funciona mais como efeito imediato do que como construção dramática consistente.

Enquanto isso, os demais personagens seguem caminhos próprios. Cassie, Nate, Maddy e Lexi ocupam novos espaços, mas suas trajetórias não se conectam de forma orgânica. A série abandona o ponto de encontro que unificava essas histórias e não apresenta uma alternativa sólida para substituí-lo.
Fragmentação que compromete o envolvimento
O maior problema do episódio está na estrutura. A narrativa se fragmenta em múltiplos núcleos que não dialogam entre si, o que compromete diretamente a coesão da série. Essa desconexão afeta o ritmo e enfraquece o impacto dramático.
A trama de Rue concentra os momentos mais intensos, enquanto os outros arcos funcionam como desvios que pouco acrescentam à progressão da história. Em vez de complementar o conjunto, esses núcleos diluem a narrativa.
Além disso, algumas decisões soam forçadas, como se fossem conduzidas pela necessidade de impacto imediato. Isso prejudica a verossimilhança e dificulta o envolvimento do público com os personagens.
Entre o choque e a falta de foco
A aposta no choque se torna um dos principais motores do episódio. Situações extremas, imagens provocativas e momentos de desconforto são usados de forma constante para sustentar a tensão. No entanto, o excesso desse recurso enfraquece seu efeito e substitui a construção narrativa por impacto superficial.

Ao mesmo tempo, a série tenta introduzir temas mais complexos, como fé, redenção e busca por propósito. A jornada de Rue sugere uma tentativa de aprofundamento, mas essa camada não se integra de forma consistente ao restante da trama.
O resultado é uma narrativa dividida entre ambição temática e execução irregular. A série parece tentar dizer muito, mas não organiza essas ideias de forma eficaz.
Uma série em transição que ainda não se encontrou
Apesar das falhas, a temporada mantém alguns elementos que ainda funcionam. A direção continua visualmente marcante, e as atuações sustentam momentos de intensidade que mantêm o interesse.
Ainda assim, o episódio 1 evidencia um problema maior. Euphoria cresce em escala, mas perde sua essência. Ao abandonar o que a definia, a série entra em uma fase instável, onde a ambição supera a coesão.
A nova proposta pode indicar caminhos interessantes, mas, neste início, o que se vê é uma série que ainda não conseguiu justificar sua própria mudança.
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Euphoria
Episódio 1, Temporada 3
Onde assistir: HBO
NOTA: ★ ★ ★ ☆ ☆

A 3ª temporada de Euphoria retornou neste domingo (12) na HBO, marcando uma ruptura clara na identidade da série. Após quase quatro anos fora do ar, a produção volta com um salto temporal significativo e uma proposta mais ambiciosa, que abandona o universo escolar para mergulhar em um cenário mais adulto, violento e imprevisível.
A mudança é evidente, mas o primeiro episódio também deixa claro que, ao tentar se reinventar, a série compromete aquilo que a sustentava. O impacto inicial chama atenção, mas não se sustenta. A estética continua forte e a ambição narrativa é evidente, porém a construção falha em dar unidade e propósito à história. O resultado é uma abertura que impressiona na forma, mas revela uma série sem direção clara.
Uma mudança radical de tom que cobra um preço
A principal transformação está no gênero. O que antes era um drama centrado na adolescência agora assume contornos de thriller criminal, com elementos de humor ácido e situações extremas. A trajetória de Rue sintetiza essa virada.
A personagem surge em um contexto muito mais sombrio, envolvida diretamente com o tráfico de drogas e inserida em um ambiente de risco constante. A tensão é elevada desde a sequência inicial, que aposta no impacto visual para estabelecer o novo ritmo. No entanto, ao priorizar escala e intensidade, a série abandona o olhar íntimo que definia sua força original.

Essa mudança amplia o alcance da narrativa, mas também esvazia sua base emocional. Ao trocar proximidade por espetáculo, Euphoria perde parte do que tornava seus conflitos relevantes.
Leia também
Uma narrativa que avança, mas não se conecta
O episódio se estrutura a partir de um salto de aproximadamente cinco anos, reposicionando todos os personagens em novas realidades. Rue vive sob a pressão de uma dívida crescente, atuando como peça central no transporte de drogas e transitando entre ambientes hostis.
A trama acompanha suas movimentações e situações de risco, culminando em um desfecho que aposta no choque para encerrar o episódio. A sequência final é impactante, mas funciona mais como efeito imediato do que como construção dramática consistente.

Enquanto isso, os demais personagens seguem caminhos próprios. Cassie, Nate, Maddy e Lexi ocupam novos espaços, mas suas trajetórias não se conectam de forma orgânica. A série abandona o ponto de encontro que unificava essas histórias e não apresenta uma alternativa sólida para substituí-lo.
Fragmentação que compromete o envolvimento
O maior problema do episódio está na estrutura. A narrativa se fragmenta em múltiplos núcleos que não dialogam entre si, o que compromete diretamente a coesão da série. Essa desconexão afeta o ritmo e enfraquece o impacto dramático.
A trama de Rue concentra os momentos mais intensos, enquanto os outros arcos funcionam como desvios que pouco acrescentam à progressão da história. Em vez de complementar o conjunto, esses núcleos diluem a narrativa.
Além disso, algumas decisões soam forçadas, como se fossem conduzidas pela necessidade de impacto imediato. Isso prejudica a verossimilhança e dificulta o envolvimento do público com os personagens.
Entre o choque e a falta de foco
A aposta no choque se torna um dos principais motores do episódio. Situações extremas, imagens provocativas e momentos de desconforto são usados de forma constante para sustentar a tensão. No entanto, o excesso desse recurso enfraquece seu efeito e substitui a construção narrativa por impacto superficial.

Ao mesmo tempo, a série tenta introduzir temas mais complexos, como fé, redenção e busca por propósito. A jornada de Rue sugere uma tentativa de aprofundamento, mas essa camada não se integra de forma consistente ao restante da trama.
O resultado é uma narrativa dividida entre ambição temática e execução irregular. A série parece tentar dizer muito, mas não organiza essas ideias de forma eficaz.
Uma série em transição que ainda não se encontrou
Apesar das falhas, a temporada mantém alguns elementos que ainda funcionam. A direção continua visualmente marcante, e as atuações sustentam momentos de intensidade que mantêm o interesse.
Ainda assim, o episódio 1 evidencia um problema maior. Euphoria cresce em escala, mas perde sua essência. Ao abandonar o que a definia, a série entra em uma fase instável, onde a ambição supera a coesão.
A nova proposta pode indicar caminhos interessantes, mas, neste início, o que se vê é uma série que ainda não conseguiu justificar sua própria mudança.
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Euphoria
Episódio 1, Temporada 3
Onde assistir: HBO
NOTA: ★ ★ ★ ☆ ☆



