O final da 3ª temporada de Round 6 (Squid Game) dividiu opiniões entre os fãs da série sul-coreana da Netflix. Mas o que poucos sabiam é que o criador, Hwang Dong-hyuk, havia concebido uma versão bem diferente do desfecho — com direito a final feliz para o protagonista.

Em entrevista à revista Vanity Fair, o roteirista e diretor revelou detalhes do final alternativo e explicou por que optou por uma conclusão mais sombria e simbólica.

Gin-hun, interpretado pelo ator Lee Jung-jae, em cena na série Round 6
Gin-hun, o número 456, teria um final “feliz” (Foto: Reprodução)

Gi-hun sobreviveria no final original

Segundo Hwang Dong-hyuk, sua ideia inicial era que Gi-hun, personagem de Lee Jung-jae, escapasse dos jogos e fosse reencontrar a filha nos Estados Unidos. “Quando eu ainda pensava vagamente nas temporadas dois e três, imaginei um final em que Gi-hun sobrevive e vai ver sua filha. Seria um final feliz”, contou o criador da série, que se tornou um fenômeno global desde sua estreia.

Essa proposta de final mais leve, no entanto, foi deixada de lado durante o processo de escrita dos novos episódios. Conforme desenvolvia o roteiro, Dong-hyuk percebeu que queria transmitir uma mensagem mais profunda — algo que dialogasse com as crises atuais do mundo real.

Final alternativo foi descartado por mensagem mais forte

A decisão de alterar o final de Round 6 está diretamente ligada ao momento histórico em que vivemos. Hwang Dong-hyuk citou problemas como desigualdade social, colapso climático e guerras como fatores que influenciaram sua escolha.

Para ele, os jovens estão perdendo a esperança em um futuro melhor — e a série precisava tocar nesse ponto com mais contundência.

O bebê que aparece no final simboliza a esperança e a próxima geração. Ao fazer com que Gi-hun, um membro da geração mais velha, se sacrifique para salvar essa criança, eu quis mostrar que precisamos construir um futuro melhor para os que virão”, explicou Dong-hyuk.

Senti que era hora de pensarmos seriamente sobre como podemos criar esse futuro — e o sacrifício de Gi-hun era a maneira mais adequada de representar isso.”

Round 6 teria outros personagens sobreviventes (Foto : Reprodução)

Outros personagens também sobreviveriam

Além de Gi-hun e o bebê, o final alternativo previa que outros personagens importantes também sobreviveriam aos eventos finais da 3ª temporada. No entanto, o criador deixou de lado essa abordagem mais otimista para transmitir uma mensagem mais clara: só transformaremos o mundo por meio de escolhas difíceis, mesmo quando elas envolvem perdas e sacrifícios.

Round 6 continua refletindo a realidade

Com um enredo que sempre denunciou as falhas do sistema, Round 6 permanece fiel à sua essência. A escolha de um final mais trágico, mas simbólico, reforça o papel da série como crítica social e não apenas como entretenimento.

Ao transformar Gi-hun em um mártir por uma causa maior, Hwang Dong-hyuk não apenas encerra um arco dramático, mas oferece ao público uma reflexão sobre responsabilidade intergeracional. E, nesse sentido, o final escolhido pode não ser o mais feliz — mas certamente é o mais potente.

A última temporada de Round 6 já está disponível na Netflix.

Siga o canal do Séries em Cena no WhatsApp para não perder nenhuma novidade sobre as séries da Netflix.

Estudante de jornalismo e apaixonado por cultura pop. Escrevo sobre séries, filmes e tudo que movimenta o entretenimento no Séries em Cena. E-mail: igor@seriesemcena.com.br