Crítica: The Last of Us – 2ª temporada traz perdas, tensão e dilemas morais

PUBLICIDADE Desde a estreia, The Last of Us nunca teve medo de colocar o emocional à frente da ação, e a segunda temporada, lançada em abril, leva essa proposta ao extremo. Em uma adaptação ousada e altamente polarizadora do segundo jogo da franquia, a série da HBO expande suas ambições narrativas ao retratar o ciclo […]

Crítica: The Last of Us – 2ª temporada traz perdas, tensão e dilemas morais Reviews
Segunda temporada de The Last of Us terminou ainda mais intensa (foto: Reprodução/HBO)
Lucas Emanuel

Por Lucas Emanuel

28 de maio às 13h00

Atualizado 9 meses atrás

PUBLICIDADE

Desde a estreia, The Last of Us nunca teve medo de colocar o emocional à frente da ação, e a segunda temporada, lançada em abril, leva essa proposta ao extremo. Em uma adaptação ousada e altamente polarizadora do segundo jogo da franquia, a série da HBO expande suas ambições narrativas ao retratar o ciclo de ódio, perdas irreparáveis e os limites morais da vingança. Nem todos irão gostar do que verão — e essa é justamente a força da temporada.

A dor como estrutura narrativa de The Last of Us

A temporada se inicia em um ponto de alta tensão: Joel (Pedro Pascal) é brutalmente assassinado por Abby (Kaitlyn Dever), evento que desencadeia o arco de vingança de Ellie (Bella Ramsey). Ao longo de sete episódios, acompanhamos a espiral emocional da protagonista, que se torna cada vez mais violenta, impulsiva e atormentada. O roteiro, assinado por Craig Mazin e Neil Druckmann, faz escolhas corajosas ao diluir a empatia que o público sentia por Ellie na primeira temporada.

PUBLICIDADE

Ao mesmo tempo, o roteiro propõe um paralelo moral desconfortável. Ao alternar entre os pontos de vista de Ellie e Abby, a série obriga o espectador a questionar sua lealdade emocional. A virada ocorre no episódio 6, quando conhecemos a vida de Abby com a W.L.F. e sua relação com Lev, que humaniza ainda mais a personagem, transformando-a, para alguns, na nova protagonista.

Critica: A Grande Inundação
Escolha do editor

Critica: A Grande Inundação

Bella Ramsey e Kaitlyn Dever: um duelo de atuação

Se a primeira temporada foi dominada por Pedro Pascal, a segunda pertence inteiramente a Bella Ramsey e Kaitlyn Dever. Ramsey entrega uma Ellie mais crua, destruída emocionalmente, e sua transformação é palpável em cada cena — principalmente na sequência silenciosa do episódio, onde Ellie se depara com as consequências de suas ações. Dever, por sua vez, evita tornar Abby uma vilã unidimensional e encontra nuances raras: vulnerabilidade, força e até ternura.

PUBLICIDADE
Imagem da segunda temporada de The Last of Us
Cena da segunda temporada de The Last of Us (foto: Reprodução/HBO)

Ambas as atrizes sustentam a tensão da narrativa com atuações intensas, que merecem destaque nas próximas premiações televisivas. São performances que vivem nos silêncios, nos olhares e nos momentos em que a violência fala mais alto que qualquer diálogo.

Um final corajoso e necessário

O episódio final, “Convergência”, não entrega catarse — entrega ruptura. Ao seguir o jogo e encerrar a temporada com a morte de Jesse, o confronto entre Ellie e Abby e um cliffhanger que literalmente escurece a tela após um disparo, a série deixa o espectador no limbo. Não há respostas fáceis, nem mesmo fechamento emocional.

PUBLICIDADE
Imagem da segunda temporada de The Last of Us
Cena da segunda temporada de The Last of Us (foto: Reprodução/HBO)

É uma escolha que vai dividir o público. E é esse desconforto que garante a longevidade da discussão. The Last of Us não quer ser confortável. Quer ser verdadeiro.

[elementor-template id=”65656″]

PUBLICIDADE

Técnica a serviço da emoção em The Last of Us

A direção mantém o alto padrão da primeira temporada, com episódios dirigidos por Jasmila Žbanić e Peter Hoar que se destacam especialmente. A fotografia em tons frios, as paisagens destruídas de Seattle e a trilha sonora minimalista de Gustavo Santaolalla ajudam a construir uma atmosfera de peso — um mundo onde a esperança é um luxo perigoso.

Imagem da segunda temporada de The Last of Us
Cena da segunda temporada de The Last of Us (foto: Reprodução/HBO)

Nos resta o quê?

A segunda temporada de The Last of Us é um triunfo narrativo, ainda que imperfeito. Ao adaptar o material original com ousadia e consciência emocional, a série se recusa a agradar o espectador. Prefere desafiá-lo. Não é entretenimento fácil. É arte televisiva em sua forma mais dolorosa — e mais honesta.

Assuntos do post