A Netflix segue ampliando seu catálogo de produções estrangeiras e, entre os títulos que ganharam força no Brasil, os k-dramas conquistaram espaço definitivo. A aposta mais comentada dos últimos anos foi Itaewon Class, adaptação do webtoon homônimo que chamou atenção ao tratar de temas pouco explorados nos dramas coreanos tradicionais, como desigualdade social, preconceito e ambição pessoal.
A história acompanha Park Saeroyi (Park Seo-joon), jovem que vê sua vida desmoronar após ser expulso do colégio ao defender um colega vítima de bullying e, pouco depois, perder o pai em um acidente ligado a uma poderosa família empresarial. Condenado à prisão e determinado a buscar justiça, Saeroyi decide recomeçar em Itaewon, bairro vibrante de Seul, onde abre o restaurante DanBam com o objetivo de transformar sua dor em propósito e enfrentar aqueles que destruíram sua família.
O impacto da narrativa e as escolhas do roteiro
O primeiro episódio de Itaewon Class é um dos mais fortes entre os dramas recentes, entregando emoção, conflito e ritmo que prendem imediatamente o público. O início afiado, no entanto, perde força na metade da temporada, quando algumas tramas se arrastam e o drama se torna excessivo. A boa notícia é que os episódios finais recuperam o fôlego inicial, conduzindo a história para uma conclusão coerente, com reviravoltas previsíveis, mas ainda emocionantes.

A diversidade dos personagens é um dos pontos positivos da série, que reúne perfis distintos e com potencial para explorar temas sociais relevantes. O problema é que boa parte desse elenco não recebe o desenvolvimento adequado. Muitos personagens acabam reduzidos a arquétipos ou alívio cômico, criando uma sensação de superficialidade que destoa da ambição da narrativa.
Já as atuações elevam a qualidade do drama. Park Seo-joon entrega um protagonista contido, firme e emocionalmente complexo. Yoo Jae-myung impressiona como o antagonista Jang Dae-hee, sustentando a tensão moral da trama. Mas é Kim Da-mi, no papel de Jo Yi-seo, quem realmente domina a tela. Sua personagem é inteligente, instável e irresistivelmente carismática, e a atriz alterna frieza e vulnerabilidade com precisão.
O romance, marca registrada dos k-dramas, está presente, mas não exatamente em sua melhor forma. A rivalidade entre Yi-seo e Soo-ah raramente contribui para o avanço da história e, em alguns momentos, enfraquece o impacto emocional ao desviar o foco dos conflitos centrais.
No conjunto, Itaewon Class é um drama que tinha potencial para ir além, mas tropeça ao tentar equilibrar profundidade, representatividade e entretenimento dentro de um roteiro irregular. Ainda assim, é uma produção carismática, com momentos poderosos e que vale ser conferida por quem gosta de narrativas sobre superação, resiliência e segundas chances. Os 16 episódios estão disponíveis na Netflix.

