Alice Através do Espelho continua a jornada de Alice Kingsleigh, interpretada por Mia Wasikowska, que passa anos navegando os oceanos seguindo os passos do pai. No retorno a Londres, ela encontra um espelho mágico que a leva de volta ao mundo de Wonderland. Lá, reencontra personagens como o Coelho Branco, a lagarta Absolem, o Gato Risonho e o Chapeleiro Maluco, que desta vez está diferente.
O Chapeleiro perdeu sua vitalidade e alegria, e isso faz com que Mirana, a Rainha Branca, envie Alice em busca da Cronosfera, artefato que controla o fluxo do tempo.
Uma história que não segue o livro, mas encontra seu próprio caminho
Produtores já haviam confirmado que a sequência não seria uma adaptação direta de “Através do Espelho”, de Lewis Carroll. A produtora Suzanne Todd explicou que o livro é composto por episódios desconexos e sem ligação temática, o que inviabilizaria uma narrativa coesa para o cinema. Por isso, a equipe criou uma história original que utiliza elementos do universo literário, mas se afasta da obra de Carroll.

O resultado surpreende pela forma como o filme utiliza o tempo como força central. Ele atua tanto como obstáculo quanto como solução para os conflitos de Alice, criando uma estrutura que mantém o interesse do público enquanto a protagonista revisita passado, presente e versões diferentes de amigos e inimigos.
Um enredo envolvente que equilibra fantasia e reflexão
A narrativa se constrói de forma sólida, sem lacunas ou desvios que enfraqueçam a trama. A aventura é visualmente rica, com momentos que destacam a magia do universo criado por Tim Burton no filme anterior. Embora algumas camadas temáticas possam passar despercebidas por crianças, a fantasia é suficientemente vibrante para manter o interesse dos pequenos, enquanto adultos encontram reflexões mais profundas.
No mundo real, o filme aborda a dificuldade de Alice em enfrentar uma sociedade que tenta limitar seu papel e suas escolhas. O contraste entre esse ambiente opressor e a liberdade criativa de Wonderland reforça a mensagem de autoconhecimento presente na jornada da protagonista. No universo imaginário, o longa expande o passado de personagens secundários, revelando momentos da infância das irmãs reais e do Chapeleiro.
Uma despedida marcante de Alan Rickman
O longa também marca o último trabalho de Alan Rickman, falecido em janeiro daquele ano. O ator empresta sua voz a Absolem em uma participação breve, mas simbólica, encerrando sua carreira de forma elegante e respeitosa.

