A nova série Reencarne, do Globoplay, marca um passo ousado na ficção nacional ao misturar terror sobrenatural, melodrama e espiritualidade em um mesmo enredo. Ambientada no interior de Goiás, a produção, estrelada por Taís Araújo, aposta em uma atmosfera de tensão e sensibilidade, conduzida por personagens que vivem entre o real e o inexplicável.

Em entrevista exclusiva ao Séries em Cena, o roteirista Elísio Lopes Jr. explicou como essa ideia nasceu e se transformou em uma das séries mais autorais já lançadas pela plataforma. “A ideia era falar sobre reencarnação, e que fosse uma série de gênero. Somos formados no melodrama, nossa referência é essa. Então, ao mergulhar no assunto, essa trama começa a ganhar camadas de humanidade”, contou ele, que divide a criação da série com Igor Verde, Flávia Lacerda, Juan Julian e Amanda Jordão.

Imagem da série Reencarne
Cena da série Reencarne, do Globoplay (foto: Reprodução/Globoplay)

“Tínhamos definido que seria uma série de gênero, mas ela foi ganhando coisas que não estavam previstas, e acreditamos que é a nossa assinatura o fato de ser uma série de terror brasileira”, acrescenta. A ambientação no sertão goiano, segundo o autor, foi determinante para o tom da série. O cenário de horizontes abertos e clima quase imóvel se tornou um espelho emocional para os personagens.

“Queríamos contar uma história moderna, mas no interior do Brasil. Não era uma história de metrópole, apesar da urbanidade, era uma história de gente muito firme, de princípios e sem meias palavras. Queríamos o vazio preenchido, essa característica do centro-oeste, de ser perto do céu, do clima parado, pouco vento mas um furacão dentro de cada um”, explica o roteirista.

Além do cenário, Reencarne também se destaca pela forma como aborda a diversidade, não como pauta, mas como parte natural da narrativa. “Normalizar a nossa existência é um objetivo da nossa escrita. Nossa humanidade não pode ser submetida à cor da nossa pele. Temos uma maioria de autores pretos nessa sala, e todos temos essa vontade: falar do que nos passa. Não do que os outros enxergam”, conta Elísio.

Ao tratar de temas como fé, ciência, vida e morte, a série busca provocar mais perguntas do que respostas. “A profundidade é sempre relativa. Não existe erro ou acerto em acreditar ou não. É tudo escolha. E nossa proposta não era responder, mas fazer as perguntas que nos movem para entender que não sabemos”, destaca ele, relembrando qual foi a sua cena mais marcante durante as filmagens da série.

Imagem da série Reencarne
Cena da série Reencarne, do Globoplay (foto: Reprodução/Globoplay)

“A cena em que Túlio se despede de Sandra, o paredão de espelho no meio do canavial, o lúdico que nos permitimos, mesmo no terror”, recorda Elísio. Por fim, o roteirista comenta como surgiu a ideia de apostar no gênero de terror, pouco usado em produções brasileiras. “O gênero veio do assunto. Não era uma meta fazer uma série de terror, mas era o gênero que mais cabia no que a gente desejava provocar no público”, disse.

“É terror, drama psicológico, é melodrama, tem uma química no roteiro que propõe algo que é nosso e estamos curiosos para entender como o público processa essa mistura”, completa. A primeira temporada de Reencarne conta com nove episódios, todos já disponíveis no Globoplay. O elenco principal reúne Taís Araújo como a delegada Bárbara Lopes, Welket Bungué como Túlio e Julia Dalavia no papel de Sandra, além de  ator Enrique Diaz.

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Jornalista especializado em entretenimento e cultura pop. Com mais de oito anos de experiência, sou um dos fundadores do Séries em Cena, onde atuo como diretor-geral. Também trabalhei como repórter no portal TV Pop. Apaixonado por televisão, streaming e futebol, tenho como série favorita How I Met Your Mother.