Meus Mortos Tristes: conheça a nova série de terror da Netflix
Dirigida por Pablo Larraín, minissérie adapta quatro histórias de Mariana Enriquez e transforma fantasmas em reflexos de culpa, memória e violência

Entre mortos que se recusam a desaparecer e uma família marcada por silêncios, Meus Mortos Tristes leva à Netflix um terror mais interessado em culpa e memória do que em sustos. A minissérie dirigida por Pablo Larraín adapta histórias de Mariana Enriquez e coloca o sobrenatural dentro de uma rotina aparentemente comum.
Mercedes Morán interpreta Ema, médica recém-aposentada que vê e escuta pessoas mortas desde sempre. O dom nunca foi exatamente uma novidade para ela, mas ganha outro peso após a morte da mãe e o retorno da sobrinha Julie, que também consegue se relacionar com essas presenças de maneira muito mais intensa.
Com quatro episódios, a produção estreou nesta quinta-feira (24) na gigante do streaming após passar pelo Festival de San Sebastián, onde os capítulos foram exibidos em conjunto.
Quatro contos formam uma única história
A trama se passa principalmente no bairro de Piedrabuena, em Buenos Aires, onde três adolescentes são assassinados. A violência desencadeia uma mudança no equilíbrio entre vivos e mortos e faz com que aquilo que Ema sempre enxergou deixe de parecer um fenômeno exclusivamente particular.

Larraín não adapta apenas o conto que dá nome à série. A narrativa combina elementos de Mis muertos tristes, Julie, Un lugar soleado para gente sombría e Cuando hablábamos con los muertos, todos de Mariana Enriquez. Personagens e situações que existiam separadamente nos textos passam a fazer parte da mesma história.
A construção permite que a minissérie atravesse diferentes formas de lidar com a morte. Enquanto Ema tenta conviver com aquilo que enxerga sem permitir que os mortos dominem sua rotina, Julie mantém uma relação muito mais próxima com essas presenças. A diferença entre as duas amplia o conflito familiar e abre espaço para o lado mais perturbador da história.
Leia também
Terror nasce da culpa e da memória
A série usa fantasmas para discutir algo mais amplo do que a própria morte. Em entrevista à ADN Radio, Mercedes Morán resumiu uma das ideias centrais da produção: “O terror é a culpa”.
Essa leitura também aparece na abordagem de Larraín. O diretor trata as aparições como figuras que desejam ser lembradas, enquanto Enriquez associa esses mortos a injustiças que nunca foram completamente resolvidas. O horror passa, assim, pelo abandono, pela violência e pelo que uma sociedade escolhe esquecer.
Quem está no elenco?
Além de Mercedes Morán, Dolores Fonzi interpreta Carolina, filha de Ema, enquanto Carolina Sánchez Álvarez vive Julie. Alejandra Flechner, Carlos Portaluppi, Germán de Silva e Luz Jiménez completam o elenco principal.
Filmada entre Buenos Aires e Santiago, Meus Mortos Tristes é produzida pela Fabula, companhia de Pablo e Juan de Dios Larraín. Sergio Armstrong assina a fotografia, enquanto Rodrigo Bazaes responde pelo desenho de produção. A adaptação também contou com participação da própria Mariana Enriquez no desenvolvimento. Os quatro episódios estão disponíveis na Netflix.
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Jornalista especializado em entretenimento e cultura pop. Com mais de oito anos de experiência, sou um dos fundadores do Séries em Cena, onde atuo como editor-chefe. Também trabalhei como repórter no portal TV Pop. Apaixonado por televisão, streaming e futebol, tenho como série favorita How I Met Your Mother.
Mais notícias de Meus Mortos Tristes
Meus Mortos Tristes: conheça a nova série de terror da Netflix
Dirigida por Pablo Larraín, minissérie adapta quatro histórias de Mariana Enriquez e transforma fantasmas em reflexos de culpa, memória e violência
Por Danilo Miranda
24 de setembro de 2026, 18h37

Entre mortos que se recusam a desaparecer e uma família marcada por silêncios, Meus Mortos Tristes leva à Netflix um terror mais interessado em culpa e memória do que em sustos. A minissérie dirigida por Pablo Larraín adapta histórias de Mariana Enriquez e coloca o sobrenatural dentro de uma rotina aparentemente comum.
Mercedes Morán interpreta Ema, médica recém-aposentada que vê e escuta pessoas mortas desde sempre. O dom nunca foi exatamente uma novidade para ela, mas ganha outro peso após a morte da mãe e o retorno da sobrinha Julie, que também consegue se relacionar com essas presenças de maneira muito mais intensa.
Com quatro episódios, a produção estreou nesta quinta-feira (24) na gigante do streaming após passar pelo Festival de San Sebastián, onde os capítulos foram exibidos em conjunto.
Quatro contos formam uma única história
A trama se passa principalmente no bairro de Piedrabuena, em Buenos Aires, onde três adolescentes são assassinados. A violência desencadeia uma mudança no equilíbrio entre vivos e mortos e faz com que aquilo que Ema sempre enxergou deixe de parecer um fenômeno exclusivamente particular.

Larraín não adapta apenas o conto que dá nome à série. A narrativa combina elementos de Mis muertos tristes, Julie, Un lugar soleado para gente sombría e Cuando hablábamos con los muertos, todos de Mariana Enriquez. Personagens e situações que existiam separadamente nos textos passam a fazer parte da mesma história.
A construção permite que a minissérie atravesse diferentes formas de lidar com a morte. Enquanto Ema tenta conviver com aquilo que enxerga sem permitir que os mortos dominem sua rotina, Julie mantém uma relação muito mais próxima com essas presenças. A diferença entre as duas amplia o conflito familiar e abre espaço para o lado mais perturbador da história.
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A série usa fantasmas para discutir algo mais amplo do que a própria morte. Em entrevista à ADN Radio, Mercedes Morán resumiu uma das ideias centrais da produção: “O terror é a culpa”.
Essa leitura também aparece na abordagem de Larraín. O diretor trata as aparições como figuras que desejam ser lembradas, enquanto Enriquez associa esses mortos a injustiças que nunca foram completamente resolvidas. O horror passa, assim, pelo abandono, pela violência e pelo que uma sociedade escolhe esquecer.
Quem está no elenco?
Além de Mercedes Morán, Dolores Fonzi interpreta Carolina, filha de Ema, enquanto Carolina Sánchez Álvarez vive Julie. Alejandra Flechner, Carlos Portaluppi, Germán de Silva e Luz Jiménez completam o elenco principal.
Filmada entre Buenos Aires e Santiago, Meus Mortos Tristes é produzida pela Fabula, companhia de Pablo e Juan de Dios Larraín. Sergio Armstrong assina a fotografia, enquanto Rodrigo Bazaes responde pelo desenho de produção. A adaptação também contou com participação da própria Mariana Enriquez no desenvolvimento. Os quatro episódios estão disponíveis na Netflix.
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Jornalista especializado em entretenimento e cultura pop. Com mais de oito anos de experiência, sou um dos fundadores do Séries em Cena, onde atuo como editor-chefe. Também trabalhei como repórter no portal TV Pop. Apaixonado por televisão, streaming e futebol, tenho como série favorita How I Met Your Mother.
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