Sabor IMAX?

A Odisseia tem uma versão que não pode ser exibida nos cinemas brasileiros

Épico de Christopher Nolan filmado em IMAX 70 mm, mas poucos lugares no mundo possuem o projetor

A Odisseia tem uma versão que não pode ser exibida nos cinemas brasileiros Filmes
A Odisseia no IMAX brasileiro é diferente da versão exibida no exterior (foto: Reprodução/Universal Pictures)
Igor

Por Igor

17 de julho de 2026 às 14h01

A Odisseia chegou aos cinemas brasileiros destacando uma conquista inédita dentro da carreira de Christopher Nolan. O épico inspirado no poema atribuído a Homero foi o primeiro longa-metragem rodado inteiramente com câmeras de película IMAX, formato utilizado parcialmente pelo diretor em produções como Dunkirk, Tenet e Oppenheimer. 

Apesar disso, o público brasileiro não consegue assistir ao filme exatamente no formato usado durante as gravações. As sessões identificadas como IMAX no país utilizam projeção digital, enquanto a apresentação considerada ideal por Nolan depende de projetores analógicos capazes de reproduzir cópias em película IMAX 70 mm.

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Isso não significa que as salas brasileiras utilizem um “IMAX falso”. Elas integram oficialmente o circuito da empresa e entregam tela ampliada, som calibrado e versões preparadas especialmente para o formato. A diferença está na tecnologia de projeção e, principalmente, na quantidade de imagem mostrada na tela.

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Cena de A Odisseia exibida no formato IMAX digital disponível nos cinemas brasileiros
Simulação do IMAX 70 mm, à esquerda, e do formato padrão dos cinemas, à direita (foto: Reprodução/Universal Pictures)

O que torna o IMAX 70 mm diferente em A Odisseia

As câmeras usadas em A Odisseia registram a imagem em negativos de 65 mm. Para a exibição, o material é transferido para uma película de 70 mm, que inclui espaço adicional destinado à trilha e a informações técnicas. Cada quadro possui 15 perfurações e passa horizontalmente pela câmera e pelo projetor, razão pela qual o sistema também é conhecido como IMAX 15/70. 

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De acordo com a Kodak, cada quadro capturado nesse formato possui área de aproximadamente 70,41 por 56,62 milímetros. O tamanho permite registrar um nível elevado de detalhes, além de preservar textura, cores e profundidade próprias da película. Diferentemente de uma imagem digital, entretanto, o filme analógico não possui uma resolução fixa que possa ser medida diretamente em pixels. 

Outro diferencial está na proporção da tela. Nas salas preparadas para o IMAX 70 mm, A Odisseia é apresentado em 1.43:1, formato mais alto e próximo de um quadrado. Isso permite visualizar áreas adicionais nas partes superior e inferior do quadro, preenchendo praticamente toda a parede do auditório. 

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Qual IMAX está disponível nos cinemas brasileiros?

No Brasil, o filme é exibido em salas IMAX equipadas com projetores digitais. Parte delas utiliza o sistema tradicional com lâmpadas de xenônio, enquanto outras contam com equipamentos a laser. Essas apresentações trabalham principalmente com a proporção 1.90:1, mais larga e menos alta do que o quadro 1.43:1 da película.

A principal opção tecnológica disponível no país está na Cinépolis do Shopping JK Iguatemi, em São Paulo. O complexo possui a única sala brasileira anunciada pela rede como IMAX with Laser, com projeção digital 4K, maior brilho, contraste aprimorado e sistema de som IMAX com 12 canais. Ainda assim, o equipamento não projeta rolos de película 70 mm. 

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Na prática, as sessões brasileiras continuam apresentando uma versão expandida de A Odisseia. O público vê mais conteúdo vertical do que nas salas convencionais que utilizam o enquadramento panorâmico 2.39:1. Entretanto, parte da área registrada pelas câmeras é retirada para que a imagem seja adaptada ao formato 1.90:1.

Por que o Brasil não recebeu a versão em película

O principal motivo é estrutural. Nenhuma sala comercial brasileira possui atualmente o conjunto necessário para projetar A Odisseia em IMAX 15/70. Não basta instalar um equipamento comum: o formato exige um projetor analógico específico, cabine preparada para acomodar grandes rolos, tela com proporção 1.43:1 e profissionais treinados para operar e manter o sistema.

A construção e a conservação dessas salas também apresentam custos elevados. A própria IMAX reconhece que poucos exibidores investem em auditórios com telas 1.43:1, principalmente por causa das despesas envolvidas na construção. Por isso, a expansão da marca ao redor do mundo ocorreu principalmente por meio da projeção digital, mais simples de instalar dentro de multiplexes. 

A distribuição de A Odisseia em película foi limitada a cerca de 40 cinemas, concentrados sobretudo nos Estados Unidos, Canadá e em algumas cidades da Europa e da Austrália.

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Sobre o autor
Igor

Igor

Estudante de jornalismo e apaixonado por cultura pop. Escrevo sobre séries, filmes e tudo que movimenta o entretenimento no Séries em Cena. E-mail: igor@seriesemcena.com.br