Lançado pela Netflix na quinta-feira (22), Kaguya: A Princesa Espacial apresenta uma releitura contemporânea de uma das narrativas fundadoras da cultura japonesa. O filme transporta a tradicional história da Princesa Kaguya para um cenário marcado por tecnologia, música digital e performances virtuais, combinando ficção científica e drama juvenil em uma produção autoral ambiciosa.

Dirigido por Shingo Yamashita, a história acompanha Iroha Sakayori, uma estudante que vive sozinha em Tóquio e tenta manter a própria rotina entre trabalho, escola e responsabilidades adultas. O ponto de virada acontece quando ela encontra um bebê misterioso que emite luz intensa e, em poucos dias, cresce de forma acelerada até se tornar uma jovem chamada Kaguya.

Imagem do anime Kaguya: A Princesa Espacial
Cena do anime Kaguya: A Princesa Espacial (foto: Reprodução/Netflix)

A estrutura do filme dialoga diretamente com o Conto do Cortador de Bambu, texto clássico da literatura japonesa. No entanto, em vez de repetir seus símbolos tradicionais, a narrativa desloca o conflito central para dilemas contemporâneos, como pertencimento, escolha pessoal e o peso das expectativas impostas por forças externas.

Metaverso, música e identidade como eixo narrativo

Grande parte do desenvolvimento da trama acontece dentro de Tsukuyomi, um ambiente virtual que funciona como metaverso, rede social e palco musical. É nesse espaço que Kaguya encontra uma forma de expressão, utilizando a música como linguagem e ferramenta de afirmação de identidade.

Segundo analise do The Guardian, o filme usa o universo virtual não apenas como cenário, mas como motor dramático, conectando a tradição do mito original à cultura da internet, do streaming e das performances digitais que moldam a experiência da juventude atual. A publicação destaca que essa escolha narrativa aproxima a lenda de debates contemporâneos sobre visibilidade, fama e autonomia pessoal.

Conflito emocional e destino em disputa

À medida que a presença de Kaguya no mundo virtual cresce, forças ligadas à sua origem passam a agir para levá-la de volta, criando um conflito direto entre o destino imposto e os laços construídos na Terra. O relacionamento entre Kaguya e Iroha se torna o centro emocional do filme, funcionando como contraponto humano à grandiosidade do universo digital.

O roteiro evita respostas fáceis e trabalha a tensão entre escolha individual e inevitabilidade, tema central da lenda original. A diferença está no contexto: em vez de um conto distante, Kaguya: A Princesa Espacial trata esse embate como algo reconhecível para uma geração criada em ambientes virtuais e relações mediadas por tecnologia.

Produção, elenco e onde assistir

Kaguya: A Princesa Espacial é o primeiro longa-metragem dirigido por Shingo Yamashita, animador conhecido por seu trabalho visual em grandes produções do anime recente. A animação foi produzida pelo Studio Chromato, em parceria com o Studio Colorido, e levou cerca de três anos para ser concluída.

No elenco original de vozes, Yūko Natsuyoshi interpreta Kaguya, enquanto Anna Nagase dá voz a Iroha Sakayori. Saori Hayami participa como Yachiyo Runami, figura central no universo musical do filme. O anime estreou mundialmente e está disponível exclusivamente na Netflix, com opções de dublagem e legendas.

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Estudante de jornalismo apaixonado por séries, sempre em busca da próxima maratona. Atualmente, estagiário no Séries em Cena, onde exploro o universo das produções e compartilho meu olhar crítico sobre o que está em alta no mundo das telinhas. E-mail: lucas.emanuel@seriesemcena.com.br