A série Ángela, atualmente em alta na Netflix, tem chamado atenção por sua trama intensa e abordagem sensível sobre violência doméstica. O que muitos espectadores não sabem é que essa produção espanhola é, na verdade, um remake da minissérie britânica Angela Black, lançada originalmente em 2021.

Apesar da mesma premissa central, as duas versões apresentam diferenças marcantes em estilo, tom e profundidade emocional.

O texto contém spoilers.

Angela e Edu da versão espanhola de Ángela
Angela e Edu, interpretados por Verónica Sánchez e Jaime Zatarain (Foto: Reprodução)

O enredo: fidelidade com adaptações culturais

Nas duas séries, a protagonista é uma mulher presa em um relacionamento abusivo com o marido, até que a chegada de um estranho começa a revelar verdades perturbadoras. A trama avança com elementos de suspense psicológico, manipulação e reviravoltas. No entanto, Angela, série da Netflix, adapta esses elementos à realidade espanhola, com cenários localizados no País Basco e uma condução mais direta e emocional das cenas.

Angela e Edu (Ed) da versão britânica de Ángela
Angela e Ed (Edu), da versão britânica (Foto: Reprodução)

Já a versão britânica, estrelada por Joanne Froggatt, aposta em uma narrativa contida, sugerindo a violência mais do que mostrando-a. O resultado é uma experiência mais introspectiva, que exige do público atenção às sutilezas do comportamento dos personagens.

Interpretação e estilo visual

Ángela conquistou o público com trama sombria e momentos de tensão (Foto: Reprodução)

A atuação de Verónica Sánchez como Angela foi decisiva para o sucesso da nova série. Ela entrega uma performance visceral, com expressões contidas, mas profundamente marcantes. A fotografia da versão espanhola também reforça esse impacto: cenas sombrias, cortes rápidos e momentos de tensão explícita criam uma atmosfera mais densa do que na produção britânica.

Em Angela Black, por outro lado, a estética elegante e os ambientes luxuosos contrastam com a fragilidade da protagonista. Isso cria um tom mais dramático, mas menos tenso que o da versão espanhola, que aposta no realismo cru e direto.

Principais diferenças entre as tramas

Foto: Reprodução

Angela Black (Britânica):

  • Diferente da versão espanhola, Angela tem a guarda das filhas e decide fugir das garras do marido Oliver (Michiel Huisman).
  • No episódio final, Angela e Theo (Ed) encenam um ataque na oficina de Mantle, armando para o marido Olivier, que é preso por agressão.
  • Outra diferença é a vingança contra Ed (Theo). Na versão britânica, Angela revela que contou os crimes de Theo a um ex-gangster preso injustamente por ele.
  • O episódio termina com Angela tocando piano na rua, retomando um sonho que havia abandonado sob pressão de Olivier.

Ángela (Netflix):

  • No episódio 6, Angela descobre que Edu é falso, cúmplice de seu marido Gonzalo. Com ajuda da advogada Esther, grava uma agressão pública de Gonzalo e reúne provas legais de violência.
  • Mesmo com a custódia das filhas em risco, ela o expõe em uma reunião de colégio, mostrando a todos o quanto agressivo seu marido é.
  • O final mostra a prisão de Gonzalo e reconstrução emocional de Angela. O incêndio criminoso no bar de Edu é uma resposta simbólica por tudo que ele fez contra a protagonista.

Embora Ángela, versão da Netflix, siga a estrutura básica da versão original, ela se destaca por explorar com mais força o trauma da protagonista e suas consequências. A adaptação espanhola não apenas atualiza a ambientação, mas amplia o alcance emocional da narrativa, conquistando audiência em diferentes países.

A série espanhola pode ser assistida na Netflix, mas a versão britânica não está disponível no Brasil até o momento.

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Estudante de jornalismo e apaixonado por cultura pop. Escrevo sobre séries, filmes e tudo que movimenta o entretenimento no Séries em Cena. E-mail: igor@seriesemcena.com.br