A 4ª temporada de O Poder e a Lei já deixa claro, desde os primeiros episódios, que a série atravessa sua virada mais radical. O drama jurídico da Netflix abandona a estrutura confortável dos casos episódicos para mergulhar em uma narrativa mais densa, marcada por perda, isolamento e risco real. Desta vez, Mickey Haller não defende apenas clientes. Ele precisa defender a própria vida e reputação.

Inspirada no livro The Law of Innocence, de Michael Connelly, a nova fase coloca o protagonista no banco dos réus após o corpo de um ex-cliente ser encontrado em seu carro. A escolha narrativa muda o eixo da série e estabelece um tom mais grave, menos irônico e emocionalmente mais pesado do que nas temporadas anteriores.

Mickey Haller deixa de controlar a narrativa

Nas três primeiras temporadas, Mickey conduzia a história com segurança, usando inteligência, carisma e domínio do tribunal para virar jogos aparentemente perdidos. Na 4ª temporada, esse controle desaparece. Preso e acusado de assassinato, o advogado passa a reagir aos acontecimentos em vez de conduzi-los.

Imagem da série O Poder e a Lei
O Poder e a Lei aposta em uma mudança de tom nos novos episódios (foto: Reprodução/Netflix)

Essa inversão afeta diretamente o tom da série. O suspense jurídico dá lugar a um drama mais psicológico, em que medo, paranoia e desgaste emocional ocupam espaço central. A câmera acompanha um personagem acuado, longe do conforto do escritório e da proteção simbólica do sistema que ele sempre soube usar.

Uma temporada marcada por perdas e silêncio

Outro fator que contribui para o clima mais sombrio é o peso emocional imposto aos personagens ao redor de Mickey. A temporada lida com perdas irreversíveis e decisões que não podem ser corrigidas no episódio seguinte, algo menos frequente no passado da série.

Em reportagem recente, a People destacou que a morte de um personagem central nesta fase representa um divisor de águas na trajetória do protagonista, aprofundando o sentimento de solidão e culpa que atravessa a temporada. O impacto não é apenas narrativo, mas estrutural, reforçando a sensação de que não há mais terreno seguro.

Mudança de formato reforça a gravidade

A 4ª temporada também se afasta do modelo clássico de “caso da semana”. O julgamento de Mickey se estende ao longo dos episódios, criando uma tensão contínua e menos espaço para alívio. Com isso, a série aposta em uma narrativa mais concentrada e menos episódica, o que naturalmente intensifica o tom dramático.

Essa escolha aproxima O Poder e a Lei de um thriller judicial mais fechado, em que cada detalhe importa e cada erro tem consequências duradouras. O ritmo desacelera, mas o peso dramático aumenta.

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Estudante de jornalismo apaixonado por séries, sempre em busca da próxima maratona. Atualmente, estagiário no Séries em Cena, onde exploro o universo das produções e compartilho meu olhar crítico sobre o que está em alta no mundo das telinhas. E-mail: lucas.emanuel@seriesemcena.com.br