Adicionado ao catálogo da Netflix nesta sexta (19), Garotas em Fuga (Drive-Away Dolls) chama atenção não apenas pelo enredo irreverente, mas principalmente por representar uma mudança clara na filmografia associada aos irmãos Coen. Dirigido exclusivamente por Ethan Coen, o filme se distancia do tom mais sombrio, existencialista e rigorosamente calculado que consagrou a dupla em Hollywood.
Embora ainda carregue traços reconhecíveis do universo Coen, o longa aposta em uma proposta mais leve, direta e assumidamente exagerada, funcionando quase como um manifesto dessa nova fase criativa.

O enredo de Garotas em Fugas
Ambientado no fim dos anos 1990, Garotas em Fuga acompanha Jamie e Marian, duas amigas com personalidades opostas que decidem embarcar em uma viagem improvisada rumo à Flórida. O plano inicial é simples: mudar de ares e deixar problemas pessoais para trás.
A jornada, no entanto, sai do controle quando elas alugam um carro que, por engano, contém uma misteriosa maleta ligada ao submundo do crime. A partir daí, o que era um road movie despretensioso se transforma em uma sequência de encontros absurdos, criminosos atrapalhados e situações cada vez mais caóticas, sempre conduzidas pelo humor exagerado e pela lógica do acaso.
Estética e ritmo mais soltos
O filme assume um humor pulp, quase cartunesco, com situações exageradas, personagens caricatos e ritmo acelerado. A violência, quando surge, é tratada como parte do jogo estético, não como um elemento trágico ou moralizante.
Visualmente, o filme também se distancia da precisão milimétrica que caracterizava a dupla. A montagem é mais solta, há uso de inserts estilizados, transições abruptas e até momentos que flertam com o nonsense puro.
Essa estética dialoga menos com o cinema autoral clássico dos Coen e mais com produções B, exploitation e comédias criminais dos anos 70 e 80, assumindo sua identidade sem buscar validação crítica tradicional.
Você também pode gostar:
- A Longa Marcha: entenda o final chocante do filme e por que é diferente do livro de Stephen King
- Uma Mulher Comum final explicado: a cicatriz, a fuga e a verdade por trás da identidade de Grace
- Baby Bandito: o roubo, a fuga e o destino real do homem por trás da série
- Faça Ela Voltar: final explicado do terror perturbador dos irmãos Philippou
Filme é o primeiro projeto solo de Ethan Coen sem participação de Joel Coen
A primeira diferença fundamental está na autoria. Garotas em Fuga é o primeiro filme de ficção dirigido por Ethan Coen sem a colaboração de Joel Coen, algo que por si só já sinaliza uma mudança de abordagem. O roteiro foi escrito em parceria com Tricia Cooke, esposa de Ethan e colaboradora frequente em projetos recentes, o que amplia o olhar do filme para outras experiências e sensibilidades.
Enquanto os clássicos da dupla costumavam girar em torno de personagens masculinos em crise moral, aqui o foco está em duas mulheres queer vivendo uma jornada caótica, impulsiva e sexualmente livre, sem o peso existencial que marcava obras como Onde os Fracos Não Têm Vez ou Um Homem Sério.
Quem é Quem no longa?
- Margaret Qualley interpreta Jamie, personagem impulsiva, carismática e movida pelo desejo de viver sem amarras.
- Geraldine Viswanathan vive Marian, mais contida e racional, funcionando como contraponto emocional da dupla.
- Beanie Feldstein aparece como Sukie, ex-namorada de Jamie e figura ligada à polícia.
- Pedro Pascal surge em uma participação especial como The Collector, personagem envolvido com a trama criminosa da maleta.
- Colman Domingo, Bill Camp e Matt Damon completam o elenco em papéis coadjuvantes que reforçam o clima de caricatura e absurdo típico do filme.
Já disponível na Netflix, Garotas em Fuga se consolida como uma obra de transição, que ajuda a entender não apenas o momento atual de Ethan Coen, mas também como grandes autores lidam com liberdade criativa fora de parcerias consagradas.
Acompanhe as novidade sobre filmes e séries que chegam ao streaming! Siga o Séries em Cena no WhatsApp.

