O sucesso de Boots na Netflix ultrapassou o streaming e chegou até o governo americano. Lançada em 9 de outubro, a série rapidamente conquistou o público, entrou no Top 10 global da plataforma e se tornou um dos títulos mais comentados do mês. Inspirada em fatos reais, a produção acompanha a jornada de um jovem gay que se alista nos Fuzileiros Navais e enfrenta o preconceito dentro das Forças Armadas.
No entanto, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos (Pentágono) criticou publicamente a série, chamando-a de “lixo woke”. Segundo a Entertainment Weekly, o porta-voz Kingsley Wilson afirmou que a Netflix “continua a produzir e alimentar lixo woke para o seu público e suas crianças”.
A declaração veio poucos dias após a estreia, quando Boots já liderava o Top 10 global e aparecia entre as séries mais assistidas em mais de 40 países.
O enredo e a origem da história
Criada por Greg Cope White, Boots é inspirada em seu livro autobiográfico The Pink Marine, que narra a experiência real do autor como um jovem gay servindo nos Fuzileiros Navais durante a política “Don’t Ask, Don’t Tell” — norma que impedia militares LGBTQIA+ de assumirem sua orientação sexual.

Na trama, o protagonista Craig “Boots” Wellington (vivido por Miles Heizer, de 13 Reasons Why) tenta provar seu valor como recruta enquanto precisa esconder sua identidade em um ambiente dominado pela masculinidade tóxica. O elenco ainda conta com Finn Wittrock (American Horror Story), Rafael Silva (9-1-1: Lone Star) e Mary-Louise Parker (Weeds).
A polêmica com o governo americano
De acordo com o The Guardian, oficiais do Pentágono consideraram que a série “distorce os valores e a hierarquia das Forças Armadas”. Para parte dos setores conservadores, Boots seria uma tentativa de “revisar” a história militar sob uma ótica identitária.
Em contrapartida, grandes veículos de mídia americano elogiaram a produção pela coragem de revisitar um período sombrio da história do país. Críticos destacaram o tom humano, provocativo e honesto, transformando o drama pessoal do protagonista em uma reflexão sobre pertencimento e autenticidade.
Sucesso, controvérsia e significado cultural
O criador Greg Cope White afirmou que seu objetivo “nunca foi atacar o exército, mas mostrar o que acontece quando alguém precisa esconder quem é para servir ao país”. A série, portanto, coloca em pauta um tema ainda sensível nos EUA: a tensão entre patriotismo, identidade e aceitação.
Apesar das críticas do governo, o público reagiu de forma oposta. Boots conquistou o topo do ranking da Netflix, dominou conversas nas redes sociais e se transformou em um símbolo da força das narrativas queer no streaming. Em meio à polêmica, a produção acabou reforçando seu propósito: mostrar que a coragem também pode estar em ser quem se é, mesmo quando o mundo tenta impor silêncio.
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