REVIEW: Obsessão - Séries em Cena

CinemaDestaqueNotíciasReviews

REVIEW: Obsessão

 

Com o lançamento de tantos filmes de heróis, remakes e continuações, a chegada de Obsessão nos cinemas brasileiros é um tanto quanto inusitado. Com a direção de Neil Jordan (conhecido por Entrevista com o Vampiro, Valente e pela série Os Bórgias), o filme é repleto de suspense psicológico e agonia.

Acompanhamos a história da jovem Frances McCullen (Chloë Grace Moretz) que perdeu a mãe recentemente e ainda luta para suprir seu luto. Já o seu pai, Chris (Colm Feore) conseguiu ‘superar’ se afogando em trabalho. Frances divide um apartamento em Nova York com a sua melhor e única amiga Erica Penn (Maika Monroe), que trabalha em um restaurante elegante, mas ainda está sofrendo a beça com o falecimento da mãe e a ausência do pai.

A premissa é um tanto quanto clichê, mas não perde a identidade própria. Em uma das voltas do trabalho, a jovem encontra uma bolsa em um assento do lado dela no metrô, ela procura alguns documentos na bolsa e descobre que pertence a Greta Hideg, solidária, ela vai devolver a bolsa para a mulher, já que estamos em Nova York e nada pode dar errado.

Greta Hideg, é uma viúva solitária que encontra o seu refúgio dando aulas de piano, já que a sua filha foi estudar na França. Greta é estrelada por Isabelle Huppert, a atriz já é uma lenda na indústria cinematográfica e dispensa elogios por si só! Ela sabe exatamente como dosar a psicopatia com a extrema sutileza.

A relação de Greta com Frances parece um tanto quanto maternal na qual elas começam a sair constantemente, até a jovem começa a incentivar a viúva a fazer coisas que ela nunca imaginou fazer. Era uma figura que Frances estava precisando naquele momento, já que sentia muito a falta da sua mãe. O roteiro começa amigável até que a situação começa a sair fora de controle.

 

As cenas de perseguição são aflitivas. Greta não é uma personagem usual,  com o desenrolar da trama, ela começa a criar uma obsessão por Frances – um trocadilho com o nome do filme que apesar de clichê é bem apropriado – A cena em que a mulher fica simplesmente parada no meio da rua olhando a jovem trabalhando no restaurante é incrivelmente assustador, sentimos a tensão da personagem. Também tem uma cena de uma outra perseguição de tirar o fôlego, já que não é comum uma pessoa tirar foto de você a cada passo de distância.

A polícia tem uma parte especial e baita duvidosa na trama, pois quando as perseguições começam a ficar fora de controle e um tanto quanto sinistra, ela deixa o clima mais tenso pelo descaso que faz com a jovem, se eles tivessem atuado de forma precisa, a trama não ficaria mais bizarra. Isso só foi um carimbo que as autoridades não se importam com perseguições, como eles mesmo disseram, é apenas ignorar, mas será que só ignorar dá certo?

Isabelle Huppert desliza no papel, a personagem tem uma postura crível, com uma carga de psicológico intenso, conseguimos sentir o que a personagem está sentindo apenas com um olhar frio, o sotaque em francês é apenas pra deixar o tom do filme ainda mais psicótico.

Chloë Grace Moretz, está se provando cada vez mais versátil. A personagem começa ingênua – por isso que acaba acontecendo o desenrolar do longa – mas em momentos de tensão, o desempenho da jovem atriz é totalmente comprável, você cria uma empatia pela personagem, torce para seu final feliz.

O roteiro faz brincadeiras com si mesmo, repete elementos usados no primeiro ato e ele também traiçoeiro do telespectador. Cheio de pegadinhas e com um tom ácido, perturbador e um tanto quanto stalker, também chega a ser ingénuo para fãs do gênero. “Obsessão” veio para ressaltar o que as nossas sempre falam para nós quando somos crianças, “Nunca aceite convite de estranhos”.

 


product-image

Obsessão - 2019

7.5

Obsessão é o novo filme de Neil Jordan, estrelado por Isabelle Huppert e Chloë Grace Moretz, retrata a solidão, manifesta tensão e surpreende em partes.